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Diário sem classe

Confesso que demorei a entender a brincadeira do Zé, mas vá lá, ela até que é algo inteligente.

Como professor universitário na área de filosofia e ética, eu acabo não tendo uma ligação muito restrita com nenhum curso da Universidade, pelo contrário, eu transito com bastante liberdade entre os vários grupos e correntes da comunidade acadêmica; professores, alunos e funcionários, a todos eu posso atender ou chatear livremente com minhas idéias e manias.

Por causa dessa minha constante flutuação, indo de um lado para outro, trabalhando e me relacionando com grupos diversos sem me fixar a nenhum, é que o Zé Bites disse que este blog seria o meu "Diário sem classe"; ou seja, minhas anotações de estudos perdidas de todo o resto.

Mas a coisa toda começa bem antes, na segunda ou terceira vez que apelei ao suporte de TI da Instituição em auxílio às minhas dificuldades com os computadores, mandaram-me o José para ajudar. Já nem lembro o que era que eu precisava então, mas lembro que o técnico José me surpreendeu com uma visão da filosofia como uma coisa prática, de aplicação cotidiana, o que só costuma acontecer entre os próprios filósofos por formação.

Aplicando a filosofia ao seu dia a dia na Universidade, desde o primeiro instante ele insistiu em que as ferramentas de computação não deviam interferir negativamente no uso e na aplicação dos computadores, pois aí eles seriam "dificultadores", em vez de "facilitadores" das atividades do usuário.

Como filósofo eu logo entendi o fundamento e a correção do que ele estava dizendo, mas não consegui perceber no que este conceito se encaixava aos programas que eu já conseguia usar nas minhas atividades no computador.

Mas o Zé não se fez de rogado e logo me pôs a par do que é Software Livre e a FSF, também me mostrou como uma ferramenta de software pode interferir negativamente no trabalho do usuário, o por que, na maioria das vezes, elas fazem isso e como o usuário pode escapar destas armadilhas.

Para não exagerar neste post, eu vou deixar estas coversas com o Zé para uma próxima oportunidade, por enquanto basta saber que FSF é uma fundação que defende os direitos das pessoas no uso da tecnologia (da computação, principalmente) através da defesa das 4 liberdades que determinam se um programa de computador é Software Livre:

  • A liberdade de executar o programa para qualquer fim (liberdade 0).
  • A liberdade de estudar como o programa trabalha, e adaptá-lo às suas necessidades (liberdade 1)
  • A liberdade de redistribuir cópias do programa para ajudar ao próximo (liberdade 2).
  • A liberdade de melhorar o programa e liberar suas melhorias ao público, para que toda a comunidade se beneficie (liberdade 3).

Note que o acesso ao código fonte dos programas é pré-condição para as liberdades 1 e 3.

Por isso, e por tudo o mais que espero ter oportunidade de trazer aqui, é que iniciamos estas anotações com a esperança de melhorar nossa compreensão e percepção do mundo altamente informatizado em que vivemos hoje.

Comentários

Quando ingressei na docência universitária não imaginei que poderia e precisaria aprender tantas coisas sobre informática e computação. Mas felizmente me valeu conhecer o José Bites, um técnico do suporte de TI da instituição, um tanto radical quanto ao uso otimizado, e simples, dos recursos da computação nas minhas várias atividades acadêmicas.

 

Foi ele quem me convenceu que um blog poderia ser útil para eu manter as minhas notas sobre como tirar o melhor proveito dos recursos da computação no meu dia a dia; e assim, aqui está o meu "Diário sem classe" sobre informática na academia.

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