itWare / Prof. Godofredo

Não! O assunto de hoje não é a política do país, apenas mais uma das minhas dificuldades com computadores que o José Bites, meu guru de TI, ajudou-me a resolver.

Para um professor de humanidades, como eu, a informática aplicada no dia a dia não parece tão simples assim; mas é para isso que a Instituição tem um departamento de TI preparado para nos dar suporte.

O problema que eu propus ao Zé foi o seguinte:

"... eu uso o e-mail da Universidade nas minhas atividades dentro da Instituição, mas estou ficando maluco com a quantidade de mensagens que recebo relacionadas a várias tarefas diferentes; eu troco e-mails com os meus alunos da graduação, com colegas de projetos de pesquisa, com coordenadores e outros professores dos cursos em que dou aulas, com entidades científicas, etc... e, claro, também com meus parentes distantes.

Eu acho que o recurso do e-mail é realmente fantástico; rápido, eficiente e barato, mas será que não tem um jeito de organizar melhor as mensagens que troco com os vários grupos com que me relaciono?"

Ao que me parecia um ninho de marfagatos, o Zé me respondeu com uma solução de dois itens:

  1. usar uma conta de e-mail para cada um dos meus "canais de comunicação" e
  2. usar um programa de e-mail que me permita trabalhar com todas as contas, sem misturar as mensagens de uma com as das outras.

Claro que eu pensei comigo: "-Falar é fácil... mas como é que eu faço isso?"; pela minha cara de espanto o Zé viu logo que eu não tinha entendido quase nada do que ele falou, ele então me orientou a fazer o seguinte.

Uma conta para cada fluxo de mensagens principal

Para o Zé, cada pilha ou pasta de papéis que eu monto para organizar as informações das minhas diversas atividades pode e deve ter uma conta de e-mail correspondente.

A idéia aqui, segundo ele, é que cada turma sob minha responsabilidade é um grupo de discussão e deve ter um canal de comunicação próprio; ou seja, eu devo ter um e-mail para cada turma com que trabalho. Além disso, eu também preciso trocar informações com os demais professores de cada curso onde estas turmas estão formadas; então mais um e-mail para cada curso.

Como eu estou lotado em um departamento e este não é necessariamente relacionado com todos os cursos em que atuo, este é um outro grupo de interação e deve ter um e-mail próprio para ele.

E finalmente, se eu me correspondo por e-mail com meus contatos particulares, eu devo ter uma conta separada para esta troca de mensagens.

Como uma disciplina pode ser "transferida" para outro professor e para que as mensagens relacionadas com a disciplina não se misturem com as trocadas com os professores e a administração do curso, as contas de e-mail das disciplinas devem ser criadas para a disciplina, e não para o professor; assim, para transferir o e-mail de uma disciplina para outro professor, basta colocar uma senha provisória de acesso à conta e entregá-la para o novo titular da conta.

Uma pasta de correspondências para cada conta de e-mail

Definidos quantos e quais e-mails eu vou usar nas minhas "conversas", o Zé me propôs duas opções de tipos programas de e-mail: os que trabalham com identidades e os que oferecem facilidades para organizar a correspondência de várias contas.

Nos programas que trabalham com identidades o usuário deve configurar tantas identidades (ou identificações) quantas sejam as suas contas de e-mail; em alguns casos o programa permite trabalhar com mais de uma conta sob uma mesma identidade, mas não oferecem recursos simples e eficientes para manter separadas as mensagens de cada conta.

Outro aspecto crítico destes programas é que o usuário deve fechar uma identidade para poder acessar as contas de outra identidade, o que nem sempre é conveniente ou vantajoso.

Já os programas projetados para gerenciar a correspondência em várias contas costumam oferecer a opção de ter uma pasta específica para cada conta, ou para um grupo de contas, ou todas as contas numa única pasta, ou o que mais o usuário preferir. Alé destes recursos, não raro estes programas também permitem a criação de identidades para gerenciar diferentes grupos de contas de e-mail.

Ele aponta como exemplos modernos destes tipos de programas o Outlook, da MS para Windows, baseado em identidades, e o Thunderbird, da Fundação Mozilla para Linux e Windows, que trabalha com várias contas.

Agora eu vou providenciar a minha coleção de e-mails institucionais, depois que o José Bites me ajudar a configurar as várias contas num programa eu venho contar como foi a aventura.

Confesso que demorei a entender a brincadeira do Zé, mas vá lá, ela até que é algo inteligente.

Como professor universitário na área de filosofia e ética, eu acabo não tendo uma ligação muito restrita com nenhum curso da Universidade, pelo contrário, eu transito com bastante liberdade entre os vários grupos e correntes da comunidade acadêmica; professores, alunos e funcionários, a todos eu posso atender ou chatear livremente com minhas idéias e manias.

Por causa dessa minha constante flutuação, indo de um lado para outro, trabalhando e me relacionando com grupos diversos sem me fixar a nenhum, é que o Zé Bites disse que este blog seria o meu "Diário sem classe"; ou seja, minhas anotações de estudos perdidas de todo o resto.

Mas a coisa toda começa bem antes, na segunda ou terceira vez que apelei ao suporte de TI da Instituição em auxílio às minhas dificuldades com os computadores, mandaram-me o José para ajudar. Já nem lembro o que era que eu precisava então, mas lembro que o técnico José me surpreendeu com uma visão da filosofia como uma coisa prática, de aplicação cotidiana, o que só costuma acontecer entre os próprios filósofos por formação.

Aplicando a filosofia ao seu dia a dia na Universidade, desde o primeiro instante ele insistiu em que as ferramentas de computação não deviam interferir negativamente no uso e na aplicação dos computadores, pois aí eles seriam "dificultadores", em vez de "facilitadores" das atividades do usuário.

Como filósofo eu logo entendi o fundamento e a correção do que ele estava dizendo, mas não consegui perceber no que este conceito se encaixava aos programas que eu já conseguia usar nas minhas atividades no computador.

Mas o Zé não se fez de rogado e logo me pôs a par do que é Software Livre e a FSF, também me mostrou como uma ferramenta de software pode interferir negativamente no trabalho do usuário, o por que, na maioria das vezes, elas fazem isso e como o usuário pode escapar destas armadilhas.

Para não exagerar neste post, eu vou deixar estas coversas com o Zé para uma próxima oportunidade, por enquanto basta saber que FSF é uma fundação que defende os direitos das pessoas no uso da tecnologia (da computação, principalmente) através da defesa das 4 liberdades que determinam se um programa de computador é Software Livre:

  • A liberdade de executar o programa para qualquer fim (liberdade 0).
  • A liberdade de estudar como o programa trabalha, e adaptá-lo às suas necessidades (liberdade 1)
  • A liberdade de redistribuir cópias do programa para ajudar ao próximo (liberdade 2).
  • A liberdade de melhorar o programa e liberar suas melhorias ao público, para que toda a comunidade se beneficie (liberdade 3).

Note que o acesso ao código fonte dos programas é pré-condição para as liberdades 1 e 3.

Por isso, e por tudo o mais que espero ter oportunidade de trazer aqui, é que iniciamos estas anotações com a esperança de melhorar nossa compreensão e percepção do mundo altamente informatizado em que vivemos hoje.

Quando ingressei na docência universitária não imaginei que poderia e precisaria aprender tantas coisas sobre informática e computação. Mas felizmente me valeu conhecer o José Bites, um técnico do suporte de TI da instituição, um tanto radical quanto ao uso otimizado, e simples, dos recursos da computação nas minhas várias atividades acadêmicas.

 

Foi ele quem me convenceu que um blog poderia ser útil para eu manter as minhas notas sobre como tirar o melhor proveito dos recursos da computação no meu dia a dia; e assim, aqui está o meu "Diário sem classe" sobre informática na academia.

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